E ali estava ele mais uma vez, saiu de casa atrasado, atravessou as ruas movimentadas de são paulo, enfrentou trânsito.. e ela estava parada no mesmo lugar, esperando. Um pouco diferente desde o ultimo encontro.. cabelos mais longos, um pouco mais magra talvez, mas de certa forma, nada tinha mudado..
Ela o cumprimentou silênciosamente, e entrou no carro.
Conversaram trivialidades, ela parecia distante.. quase chateada.
O percurso pareceu mais longo, talvez pelo estranho silêncio ou pelo trânsito. E por quase um segundo ele achou que essa seria de fato a ultima vez. Mas nunca é. E aí, ela quebrou o gelo e disse uma frase meio sem sentido, ou talvez com sentido demais. E ele percebeu que tudo ainda estava igual...
Enquanto procurava sua roupa que estava jogada em algum canto daquele quarto bagunçado, passou pela cabeça dela dizer que isso não aconteceria mais. E ela queria. Mas algo sempre a impedia.
Ela quis entender o que acontecia.. o porque de duas pessoas tão diferentes, se tornarem nada mais que um entre quatro paredes. Ali dentro, eles eram tudo: amigos, amantes, cúmplices. Fora dali.. bom, eles não mais se pertenciam, eram perfeitos desconhecidos.
Ele sabia o quanto aquilo era errado. E até mesmo incomum. Olhou para ela revirando o quarto procurando por sua blusa, já quase desistindo. Já tinha tentando sair desse ciclo vicioso uma centena de vezes e por algum motivo, não conseguiu.
Mas já não era hora de pensar nisso.. era hora de ir embora. Ela entrou no carro e ele já estava esperando seus movimentos, ele já havia decorado: fechar a porta, colocar a bolsa no colo, prender o cinto, e olhar pra ele, fixamente. E foi exatamente isso o que ela fez.
O percurso de volta também foi exatamente como sempre.. exceto por uma pergunta um tanto curiosa..
- você faz ideia do que acontece entre a gente?
e uma resposta mais curiosa ainda.
- não, e nem preciso saber.
E então ele a deixou no mesmo lugar em que a tinha pego algumas horas antes. Com a certeza de que a veria de novo, e de novo e de novo.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
O que te encanta
Ela vai te machucar. Você vai se apaixonar e ela te fará sofrer. Só por diversão..
Não é o olhar perigoso que ela tem, nem os olhares perigosos que ela lança, e também não é o jeito despreocupado de lidar com tudo.. não é o perfume doce, nem a inteligência afiada, não é a voz delicada e decidida.
Não foi o sorriso brilhante, ou a maquiagem perfeita.. nem o fato dela parecer impecável, mesmo vestindo somente a sua camisa, que te encantou. Foi outra coisa..
Não é o olhar perigoso que ela tem, nem os olhares perigosos que ela lança, e também não é o jeito despreocupado de lidar com tudo.. não é o perfume doce, nem a inteligência afiada, não é a voz delicada e decidida.
Não são os lugares que ela frequenta, nem a careta que faz ao beber tequila, não são os beijos que ela te dá e nem os olhares que recebe de todos. Não é porque ela faz o que quer quando bem entende, e nem porque fala o que tá com vontade de dizer.
Não é o fato dela ter todo mundo na palma da mão, nem porque quando está com ela você sente que é capaz de qualquer coisa.. O que te leva de volta pra ela sempre.. é outra coisa.
Não foi o jeito que ela mexe no cabelo que te hipnotizou, nem as unhas pintadas cada dia de uma cor diferente.. não foi o jeito provocante de dançar ou o fato dela não ligar pra nada.
Simplesmente não.
O que te encanta, não é o fato dela ser sua. Muito pelo contrário, ela não é sua cara, ela não é de ninguém. Aquela menina não é, e nunca foi de ninguém. Absolutamente ninguém.
domingo, 27 de novembro de 2011
time stands still
Minha cabeça dói, meu corpo também. O calor que me invade não é devido ao tempo quente, as mangas compridas ou o quarto abafado. Não sei de onde vem, nem porque. Só sinto. Como todos os outros sentimentos que ando tendo. Só sinto. Não quero mais as conversas de antes, os erros de antes. Quero sentir.
Sentir que nem tudo está perdido, mesmo que a certeza de que está, se faça presente a cada respiração. Sentir que ainda há esperança escondida numa rua escura e fétida num canto da minha mente, ou em alguma poça suja daquele coração que alego não ter. Preciso sentir algo além desse insuportável medo que me faz sentir o tempo simplesmente parar. Tudo ao meu redor congela. E eu não sei mais, nunca soube. Me perco em dor, pensamentos e confusão. Lágrimas avançam e eu não sei como reverter a situação em que me coloquei. Tentarei acreditar em minha própria mentira até que se faça verdade: vai passar.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Drowning
O lugar era perfeito, de uma estranha forma. Desde que pus os pés lá. Há tantos invernos atrás.. Eu finalmente, eu estava voltando.
Certamente, eu logo visitaria a morte, então achei justo para todas as partes que fizeram tão mal, mas me fizeram tão viva, em julhos tristes e agostos cinzentos que eu não mais adiasse essa última visita.
Assim que cheguei, fui recebida da mesma forma, como todos os anos... clichê barato.
Os pensamentos antigos, tranquei.
As tristezas de sempre, matei.
E as saudades de um amor que nunca existiu... Bom, essas me acompanham sempre.
Mas, foi só ver você que tudo voltou, as lembranças utópicas, o sentimento de perda, mesmo tantos anos depois.
E então.. corri. E ai, pulei..
Corri de você, do medo e das lembranças. Somente parei quando senti a água gelada penetrando meu corpo e enchendo meus pulmões. E o ar faltou... e então veio a escuridão, somente a inefável escuridão.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Eu só preciso descobrir o que fazer agora e não é como se estivessem disponíveis para mim várias oportunidades de um novo começo. Mas fico - menos triste - de que eu posso personaliza-las conforme o que eu quero - se bem que usualmente o que eu quero, é definido como, moralmente proibido ou mesmo proibido por lei, ou até proibido porque eu sei que vai me causar dor, e mesmo assim quero - então, continuando, posso ir moldando cada uma pra ver aonde dá, errei com uma? conserta com a outra. Falando assim parece fácil não? da ultima vez só me trouxe mais problemas. Não vou fingir aqui que não tenho escolha, tenho uma sim: rápida, simples e que vai doer. E tenho outra até: a longo prazo, no começa vai doer, no meio vai doer, e no final vai me trazer realização. E qual é a dificuldade de escolher? vou te contar.
Cortar Laços
Algo que nunca me ensinaram, e eu, sozinha, não aprendi direito a fazer. Quando se inicia uma nova fase, é claro que coisas ficarão para trás, sempre ficam, a todo momento. E eu nunca sei o que fazer com essas coisas e pessoas, e lembranças que minha mente inventa.
Então esse será o próximo passo: aprender a deixar tudo pra trás.
domingo, 14 de agosto de 2011
it's gone!
Como explicar a sensação de querer simplesmente sumir, desaparecer? é muito simples na verdade: você não explica. Não porque não pode, ou não deve, é mais como um conselho; não é uma boa ideia, me escute rapaz, a maioria das pessoas não entende, e se por acaso achar alguma que entenda, não deixe essa pessoa escapar da tua vida, ouviu? ainda que alguns não entendam, não opinam. Mas outros a desacreditam, e isso vai te fazer sentir pior, eu sei. Então conte com você, uma boa garrafa de vodca e.. um outro opcional. Mas não com pessoas, nunca conte com pessoas. Vai lhe fazer melhor.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
- Photograph
Está (quase) tudo bem. Os dias passam rápido o suficiente para que eu não seja obrigada a pensar em certas pessoas. E (não) acontecimentos. Ocupar a mente com coisas: qualquer tipo delas pra que o pensamento não voe quilometros e vá parar onde não pode; onde não deve. E assim a gente vai levando, e levando. As coisas mais difíceis, ainda que soem ridículas quando faladas em voz alta, são: ter de me segurar pra não mandar uma mensagem offline, ou um SMS que talvez não tenha resposta. E não ouvir certas músicas que me lembram dele, de momentos, aqueles raros momentos.
Só que o destino que já gosta de me sacanear, então ele apronta uma só de leve, pra eu lembrar que ele tá ali, mandando em tudo: do nada, aquelas mesmas músicas que eu evito começam a tocar. No mercado, no rádio, no aleatório no Music Player, é perseguição isso. To sentindo.
Depois, esses pensamentos voltam pra mim, e ficam aqui, me assombrando e perseguindo. E eu tenho que dar um jeito de retomar tudo. Continuar vivendo a mesma mentira.
Só que o destino que já gosta de me sacanear, então ele apronta uma só de leve, pra eu lembrar que ele tá ali, mandando em tudo: do nada, aquelas mesmas músicas que eu evito começam a tocar. No mercado, no rádio, no aleatório no Music Player, é perseguição isso. To sentindo.
Depois, esses pensamentos voltam pra mim, e ficam aqui, me assombrando e perseguindo. E eu tenho que dar um jeito de retomar tudo. Continuar vivendo a mesma mentira.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Mesmo assim eu não esquecia dele. Em parte porque seria impossível esquecê-lo, em parte também, principalmente, porque não desejava isso. É verdade, eu o amava. Não com esse amor de carne, de querer tocá-lo e possuí-lo e saber coisas de dentro dele. Era um amor diferente, quase assim feito uma segurança de sabê-lo sempre ali.
(Caio Fernando Abreu)
Assinar:
Postagens (Atom)






